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Standard Bank Group
7 October 2021

O novo papel da África na economia global

Otaviano Canuto é um dos mais respeitados economistas brasileiros. Tem passagens por instituições internacionais como vice-presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento, diretor executivo no Fundo Monetário Internacional (FMI) e vice-presidente e diretor executivo no Banco Mundial. É um dos grandes pesquisadores sobre desenvolvimento. Atualmente, é membro sênior no Policy Center for the New South e professor na George Washington University. Canuto participou no final de setembro do Focus on Africa 2021, evento organizado pelo Standard Bank Brasil.Antes do evento, ele conversou com o Standard Bank Brasil sobre a recuperação da economia global pós-Covid, o papel dos países africanos na economia global e como o Brasil pode aumentar as relações com a região.

Como vai ser a recuperação da economia global pós-Covid? Alguma nova tendência ou mudança significativa na ordenação econômica global?

A recuperação da economia global vem dependendo de dois principais fatores em cada um dos espaços nacionais. Por um lado, a corrida entre a imunização da população com vacinas e a disseminação de variantes do vírus. Uma dianteira da vacinação está sendo necessária para que os serviços intensivos em contato pessoal – o fulcro da recessão produzida pela pandemia – possam ser retomados. Por outro lado, também vem dependendo da continuidade – ou não – das respostas fiscais e parafiscais que os países adotaram a partir do ano passado.

Por isso, a recuperação global tem sido desigual e diferenciada. Países avançados, com maior ritmo de vacinação e maior espaço fiscal, ou seja, capacidade de fazer transferências do setor público para o setor privado sem enfrentar problemas de financiamento, têm se recuperado mais rapidamente que economias emergentes e países em desenvolvimento. O retorno aos patamares de PIB prévios à pandemia ocorrerá mais lentamente no caso dos não-avançados.

No que diz respeito à ordem econômica global, pode-se dizer que a pandemia acelerou algumas tendências já presentes. A rivalidade tecnológica entre as grandes potências agora se estenderá à busca de internalização de segmentos-chave nas correspondentes cadeias de valor – como semicondutores, por exemplo. Além disso, a demarcação das linhas de “setores estratégicos” vai se estender a áreas como medicamentos e equipamentos médicos. O acesso a insumos minerais críticos para as novas frentes tecnológicas – especialmente para os investimentos em infraestrutura “verde” – também será objeto de disputa. A dúvida está apenas na extensão em que cadeias globais e regionais de valor serão afetadas, uma vez que manejo de riscos e resiliência a choques subiram em importância relativamente a eficiência e baixos custos.

Cabe notar também outras duas sequelas da crise pandêmica em cada um dos espaços nacionais: dívidas públicas mais altas e piora na distribuição da renda. Também como parte do papel da pandemia acelerando a história, cabe mencionar o impulso que deu a inovações tecnológicas, inclusive a automação em processos de trabalho. O desafio de responder a possíveis impactos estará na ordem do dia: requalificação de mão de obra, reforço de sistemas de proteção social, etc.

Qual papel os países africanos podem desempenhar na economia global?

De um modo geral, os países africanos – como os não-avançados nas demais regiões – continuarão tendo à frente um único caminho viável de crescimento e desenvolvimento econômico, qual seja, a acumulação doméstica de capacidades organizacionais e de uso e adaptação de tecnologias na produção de bens e serviços, assim como outros ativos intangíveis. Ao mesmo tempo em que também acumulem ativos tangíveis, físicos, como infraestrutura e equipamentos. O dever de casa de antes continua o mesmo: aprimorar ambientes de negócios, elevar índices educacionais da população e melhorar a disponibilidade de infraestrutura.

Nos casos em que há riqueza de recursos naturais, talvez beneficiários de alguma melhora nas perspectivas de seus preços na medida em que a economia global se recupere, cabe garantir que os retornos da exploração desses recursos sejam endereçados à acumulação de ativos conforme mencionamos há pouco. A variável chave para isso acontecer será a qualidade da governança e o papel do setor público no manejo de tais recursos.

Dado o reordenamento econômico global que mencionamos, mais que nunca valerá para a região finalmente se integrar física e comercialmente, assim explorando sinergias. A Área Continental de Livre Comércio Africana constitui um passo nessa direção. A partir de tal integração, os países africanos em conjunto podem negociar acordos e obter vantagens com os vários polos globais em rivalidade.  

Podemos esperar que a África aproveite a mudança estrutural na economia da China e consiga atrair investimentos para criar cadeias de valor?

O transbordamento de atividades de cadeias de valor da China para fora, algo acelerado durante a guerra comercial entre EUA e China, mostrou ser isso possível, ainda que no caso tenha beneficiado particularmente seus vizinhos asiáticos e, em menor medida, o México. Há que se levar em conta que isso ocorreu, contudo, por investidores japoneses, americanos e taiwaneses, preocupados com as restrições comerciais norte-americanas no contexto da guerra. Por outro lado, como mostrou o caso de produtos de couro da Etiópia, investidores chineses também poderão estar tentados a fazê-lo para a África, no mínimo em alguns segmentos. A iniciativa chinesa “Belt and Road” trouxe bons augúrios nessa direção, particularmente para os países cobertos pelos desenhos que foram anunciados. Dúvidas restam nesse momento sobre se – e para onde – a China vai priorizar sua estratégia de integração para fora.   

Como os países africanos podem oferecer mão de obra barata e estão bem localizados, essas cadeias de valor poderiam ser globais, ou elas apenas atenderiam o mercado local?

Além do dever de casa necessário para que o uso da mão de obra mais barata seja atrativo economicamente, ao qual já aludimos, há a possibilidade de que em alguma medida as inovações tecnológicas em curso estejam encolhendo as oportunidades de uso de mão de obra barata e pouco qualificada para produtos de exportação em alguns setores tradicionais. Porém, o ritmo de tais mudanças tem estado longe de exaurir as oportunidades. Ao mesmo tempo, as novas fronteiras estão abrindo algumas janelas onde um catching up mais rápido pode ocorrer – com o uso das finanças digitais na África oriental constituindo um exemplo óbvio. Mesmo que o potencial de repetição da experiência asiática de industrialização via exportação com base em mão de obra mais barata esteja hoje em dia menor que então, a combinação de mão de obra barata e adaptação criativa de tecnologias disponíveis do exterior pode ensejar algum círculo virtuoso doméstico na região.

De que forma o Brasil poderia estreitar relações econômicas com a África, que já foram mais fortes?

O Brasil não tem a capacidade de suporte financeiro externo como os países avançados, a China e as instituições multilaterais. A experiência histórica recente de uso da dívida pública doméstica via BNDES e outros para tal só demonstrou isso. Podemos, porém, além de estreitar relações comerciais, transferir tecnologia em áreas de sucesso, como no caso da agricultura.